16 novembro 2003

Se porventura nos voltarmos a encontrar
Desta vez, não finjas o que não somos
Não partilhes o que não temos
Não te encantes com a magia desvanecida

Sem querer ou por querer, perdemos a ponta do novelo
E procuramos desesperadamente o fio
Que nos deixe atar o passado com o nosso presente
Esses momentos de procura atormetam-me
Banham-me em mel e cravam-me com estacas
Desfazem o caminho e atiram-nos para a berma
Para um princípio que parece já ir a meio
Um encontro quase de despedida
Um mar cheio de areia e deserto
Sem setas para destino algum

Quem somos nós agora
Quem nos desvenda a imagem do que somos
Quem nos faz o favor de nos parar e sentar
Quem irá olhar-nos nos olhos e dizer a verdade

Uma verdade que fingimos desconhecer...