23 dezembro 2003

Se, por ventura, o medo sempre nos tentou paralizar, existem momentos em que perante ele construimos pontes sobre o abismo... Se temos medo daquilo que não conhecemos..., se somos aquilo que somos, é apenas porque arriscamos um dia perder tudo, para outro tudo ganhar...
Questiona-nos a sociedade... Pergunta-nos em que é que afinal acreditamos. Se é em Deus, no acaso, na coincidência ou nos sinais. Sentem-se confusos e desagradados. Desagradados por talvez sermos o que não estavam à espera. Incomodados por serem fitados olhos nos olhos com uma profundidade que os toca. Nós respondemos que apenas sonhamos. Eles encolhem os ombros e viram-nos as costas. Afinal, as pessoas têm medo daqueles que não conhecem...
Talvez por isso, às vezes, me sinta só... Já são poucos os que restam e acreditam... Lentamente, uns e outros se entregam ao passar dos dias. Às vezes, tenho vontade de os libertar e entregá-los ao vento, como se de cinzas se tratassem...