19 outubro 2004

Era uma vez um amor distante...daqueles que começam pela presença, mas que crecem pela ausência. Eu dizia: eu amo-te: e todo o universo parecia minguar num abraço ao ser amado.
depois havia a voz que vinha de quando em quando gravada em fita magnética, as conversas tidas quase em silêncio numa língua desconhecida. E eu ouvia: eu amo-te, e todo o cosmos aumentava pela a ausência do corpo amado.
Sim Miguel, havia a imaginação que me trazia carícias, beijos e abraços...beijos e abraços palavra...mas eu desejava o corpo e o sangue, desejava os lábios e os olhos...mas havia a distância...pequeno detalhe que tentava minimizar pelo desejo do encontro...
mas que encontro? o que eu desejava, o que ela desejava?
e quem eramos nós na realidade, que encontro seria esse?

eu imaginava-a numa alta catedral de vitrais, onde os santos e os deuses velavam o nosso encontro...depois haveria o beijo...aqule beijo que não ousei dar convenientemente...beijo águia total...beijo pelo corpo adentro.
e ela? como desejaria ela esse encontro?

depois o tempo avançou por nós adentro...as estações foram passando ao sabor desse amor, e aos poucos foi-se preservando a ausência...foi crescendo o medo do encontro até ao abandono real do encontro.

as histórias de amor podem ser tristes...se é que podemos falar de amor.
o que é o amor Miguel? como se transforma ele em nós? que volta nos dá ele, que nos faz esquecer, abandonar e viver no silêncio da verdade.

Quem amas tu Miguel? que verdade se oculta nesta distãncia e nesta ausência? voltarias pelo teu amor? por ti?

Eu amei um amor que desconheço...foi um amor que guardo ainda hoje, é verdade...o amor pela poesia de um amor que não foi, de um amor que não se consomou na carne.
Hoje acho que o amor nos faz largar tudo e todos, se o amor não nos der essa coragem é porque possivelemente não é um amor real mas sim um amor egoico, imaginário do nosso eu feminino.

que amor sentes tu hoje?