
morrer e nascer possivelmente fazem parte de um mesmo acto desconhecido, como se dois actos se conjugassem num só verbo.
é bom ter-te de uma forma egoística, ter-te numa determinada dimensão em que nem nós sabemos se alguma vez existimos. sim existimos.
uma pedra na água cria tanto movimento,afectando todo o cosmos, todos o existir, todo o sentir.
tenho a mania de ser pedra de quando em quando, tenho a mania de morrer muitas vezes, de matar na carne e no pensamento os outros, os poucos, de quem verdadeiramente gosto.
faço-o porque preciso desses poucos, porque são esses que na sua existência em mim, me tornam e me transformam dia a dia no que sou.
por isso amo intensamente os poucos que amo, e para eles sou tão pai e filho, quanto é o meu desejo de o ser também.
matemo-nos assim, pelas palavras que poderão renascer e nos fazer acordar deste quase sono que se faz longo.
perguntaram-me um dia o que me ligava a ti, e eu respondi que o que me liga a ti é a densidade da tua emoção.
peço-te que possamos ser pela palavra o que não podermos ser pela voz, que possamos ser pelo abraço o que o pensamento não conseguir decifrar.
que seja assim, por muito mais...
p.s.- o amor dos que em nós são, vence até a morte, muito mais que às vezes na vida.
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