18 novembro 2005


os restícios do sentir...

passei por acaso, como quem passa por ruas já quase desconhecidas, como quem volta de viagem e se espanta pelo tempo que passou desde a partida. é com este sentimento de estranheza que escrevo estas linhas.

este espaço foi abandonado, talvez apanágio do abandono que fomos fazendo um do outro. Na verdade o abandono é a partida para um qualquer outro lugar...ambos partimos.

até aqui o que nos fez ficar foi a emoção que fomos despertando aqui e ali um no outro, foram as ideias em comum, os projectos, os ideais, o interesse de permanecer num futuro.

entretanto deu-se o que chamarei de "abandono um do outro", até aqui. Onde estou é sem dúvida num lugar diferente do que tu estás...sim, o presente tem-me dito que estamos em locais muito diferentes, e que nos vamos mantendo por uma razão histórica, por uma emoção que existe e que é verdadeira, mas que corre o perigo de ser só história...

a emoção que tens eu não a sinto, e penso que tu também deixaste de me sentir. Parece que misteriosamente se ergueram demasiados muros, segredos e receios que nos impedem de dar o que sempre de melhor tivemos um do outro: emoção, sentir, presença.

doi-me tudo isto, doi-me pensar que este limbo veio para ficar...será?
sei, por experiência, que a vida trilha caminhos que vamos seguindo, e que possivelmente os nossos caminhos seguiram rumos muito diferentes, tão diferentes que pouco sei de ti nestes dias.para além do factual da vida...não me chega, e eu concerteza não te chego.

onde está a tua emoção? onde está a tua densidade, onde estás miguel?

a vida dá muitas voltas nas coisas do sentir, talvez seja destes dias que passam, o futuro trará notícias de ti.

um bj. até breve